terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Crônica sobre 23/02/2016

    Hoje, como todos os dias, acordei, peguei meu celular, abri o Facebook e dei uma olhada no feed de notícias. Esperava encontrar alguma publicação sobre novos casos de dengue, fotos e compartilhamentos de amigos, ou qualquer coisa do tipo. Em vez disso, deparei-me com diversas postagens sobre um acontecimento ocorrido hoje no período da manhã: uma dita tentativa de estupro a uma funcionária de uma instituição de ensino da minha cidade, fato vivenciado no local. Algumas páginas de notícia diziam ter sido uma tentativa de roubo, outras diziam que havia sido sim uma tentativa de estupro.
    Não entrando no mérito de ter sido ou não, decidi escrever sobre uma decisão tomada por algumas instituições de ensino que pode ser, agora, tanto um avanço quanto aos direitos dos transexuais como um retrocesso quanto à violência, em especial, contra a mulher. No final de 2015, uma instituição específica declarou um lema que dava às pessoas o direito de usar qualquer um dos banheiros, feminino ou masculino, de acordo com o gênero a que se sentisse pertencido. A ideia principal era trazer à faculdade o molde contemporâneo de respeito à diversidade. 
    Inicialmente, analisando por um ponto de vista específico, trata-se de um grande avanço quanto aos direitos de pessoas que não se sentem confortáveis utilizando banheiros que não seguem o gênero a que pertencem (no caso de transexuais). Porém, analisando o fato com um olhar inclusive mais malicioso, percebe-se que muitas pessoas poderão abusar desse direito, utilizando-o como uma arma de violência e estupro.
    Quando dois homens entram em um banheiro feminino afirmando se identificarem com o gênero feminino , não há provas de que estão sendo verdadeiros ou não. Contudo devem ser respeitados e o uso dos banheiros por parte de ambos não pode ser restrito. Se dois homens, porém, fazem uso dessa afirmação para entrarem em um banheiro e estuprarem uma mulher que está sozinha no local, a situação se torna um tanto complicada.
    O exemplo acima não foi noticiado. Trata-se de uma suposição para nos levar à reflexão e até a uma maior cautela por parte não só de nós mulheres, mas também dos homens. Deve-se respeitar sempre todos os gêneros, sem restrição. Mas, ao mesmo tempo em que se percebe um grande avanço em um ponto, parece haver um retrocesso em outro. O fato de haver uma maior possibilidade de violência contra, principalmente, a mulher, gera em nós um medo ainda mais intenso em relação a essa situação. O que deveremos fazer? Esperar os mesmos saírem dos sanitários para, então, podermos entrar? Ou entrar sempre em grupos em tais locais? O medo parece se tornar cada vez mais intenso. 
    Em relação à última referência, não se sabe ao certo o melhor a se fazer, pois toda medida tem um lado bom e ruim. Contudo, cabe aos órgãos responsáveis pela vigilância dessas instituições garantir a fiscalização de tais pontos, permitindo a todos, não apenas às mulheres, a preservação de seus direitos e de sua segurança, abrandando os empecilhos de tal decisão.

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