segunda-feira, 18 de julho de 2016

Sobre o conceito perdido de "sociedade"

Hoje acordei assustada. Assisti a algumas notícias e vídeos sobre acontecimentos no jornal. Não eram notificações sobre o fim do trabalho infantil, da prisão de estupradores, do fim do Estado Islâmico, do aumento dos salários dos trabalhadores. Eram notícias tristes. Notícias sobre uma mulher sendo morta a facadas em frente à sua própria filha. Morta por um filho da puta que, não contente com o fato da dona de casa não ter dinheiro consigo, cortou sua garganta. Notícias sobre uma França em caos com a morte de adultos e crianças durante a comemoração do dia principal da Revolução Francesa, um 14 de julho. Uma cidade sendo atacada por um homem dentro de um caminhão atropelando pessoas, matando seres humanos. 
Notícias sobre uma Síria sendo bombardeada por países desenvolvidos que "querem controlar o Estado Islâmico". Sobre uma Síria em que colégios são destruídos, CRIANÇAS são mortas.
Notícias sobre um mundo em guerra, é isso que vemos. E nos perdemos em séries que nos excitam com a morte de pessoas, com o assassinato de milhares de seres humanos.
Não nos chocamos mais com as notícias na internet. E, se nos chocamos, não fazemos nada para mudar. Criticamos a polícia e os marginais, professores e alunos, pais e filhos, jogadores e torcedores. Nós, povos de uma mesma nação, brigamos entre nós pela luta do poder, não querendo que haja o fim da corrupção, mas a retirada de uma presidenta do poder por "impeachment". Lutamos entre nós pelo egoísmo de querermos saber mais que os outros, de queremos mostrar que temos mais que os outros. 
Estupramos garotas e mulheres para que possamos postar nas grandes redes sociais o quão fortes e fodas nós somos. Criamos redes sociais para podermos convencer os outros de uma imagem que não nos pertence: a felicidade intrínseca ao ser humano que não existe.
Botamos fogo em repórteres vivos, decapitamos crianças, bombardeamos locais públicos para mostras para o Ocidente o quão poderosos nós somos, e que jamais conseguirão mudar nossa cultura e nela intervir. 
Quem somos nós? Somos os seres humanos. Somos o que chamam de sociedade. Destruindo a natureza e destruindo a nós mesmos. 
Acho que está na hora de um poder maior acabar com isso tudo logo, porque a guerra parece que nunca terá um fim.

sábado, 28 de maio de 2016

O amor bate na aorta

Caminhava lentamente pela rua. 6:30 da manhã. Poucas pessoas povoavam as calçadas claras de Juiz de Fora. Caminhava lentamente pela rua.
Sua alma estava, ao contrário das calçadas, bastante povoada. Mas, dentro de si, mais do que pessoas, havia sentimentos. O amor batia na aorta. Seu coração pulsava ao som da música que penetrava seus ouvidos. Olhava para o céu azul que, aos poucos, absorvia a luz do Sol crescendo no horizonte. Parecia cena de filme, mas era apenas Ana com um sorriso leve no rosto, sentindo algo que há alguns meses não sentia: leveza.
Ao contrário do que sua face sempre radiante dizia, Ana não estava de bem com a vida nos últimos meses. Seu coração havia sido despedaçado, sua mente havia sido impregnada por pensamentos ruins, a negatividade invadia sua alma. Tempo para pensar não mais havia. Tempo para viver já havia se esgotado. Não inspirava arte, não expirava gás carbônico. Dentro de seus pulmões havia teias de aranha que impediam sua respiração nasal. E Ana respirava apenas pela boca desde então.
Sentia um forte cansaço no peito com frequência e uma vontade de chorar continua. Vejam só, até pensou em se jogar do quinto andar. Cruz credo, menina! Onde já se viu pensar na morte desse jeito? Mas continuou, em vez disso, empurrando sua vida com a barriga (que agora estava 2 kg maior), sonhando com o dia em que acordaria sorrindo.
E acordou. Hoje, Ana acordou sorrindo. Contaminada por alguns vírus que decidiram se instalar em sua garganta e em um de seus dedos da mão esquerda, Ana sorria mesmo assim. Conseguia, mesmo gripada, respirar continuamente pelo nariz. Pensava em viajar, em sonhar novamente com um futuro bom. Pensava no que realmente a faria feliz. Pensava no feriado bem dormido, nos gastos com futilidade. Mas estava feliz.
Caminhava pela Gilhorta sentindo o amor bater na aorta. E na porta também. Um amor incrivelmente próprio. Uma necessidade irrecusável de se fazer feliz. Uma vontade de contar segredos e sonhos para si mesma. Uma coisa fora do comum essa sensação. E Ana sorria. Sorria porque sabia que talvez fosse um sentimento efêmero e que deveria ser vivido a cada instante. Sorria porque talvez fosse um sentimento intenso que a faria ver a vida de um ângulo superior. Coisa de arquiteto.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Sobre a corrupção no país

Hoje venho escrever sobre um tema extremamente polêmico e que tem tirado o sono de milhares de brasileiros nos últimos meses(ou seriam séculos?): a corrupção no Brasil.
Nascemos em um país que foi colonizado de forma elitista e corrupta, onde negros eram tratados como mercadoria e descendentes de portugueses usufruíam de seu poder político e econômico. Partimos para um governo oligárquico, com representantes que burlavam votos, compravam eleitores e os ameaçavam caso não cumprissem com seu dever de voto. O café com leite vivia em meio ao voto de cabresto, com políticos totalmente corruptos, que se destruíam por uma eleição.
Depois veio Getúlio, com toda sua jogada política de não se meter nas decisões tomadas na zona rural, porque sabia que proprietários de terra tinham mais poder que ele próprio. Brincava com o povo, criando leis para a o proletário urbano, garantindo sua massa de seguidores.
Pulando alguns governos, veio a Ditadura. Povo cego esse que acha que foi o momento mais limpo da historia do Brasil. Bobinhos! Criações faraônicas com um propósito: desvio de verba. E como desviaram dinheiro, Senhor.
Mas todos esses exemplos servem para chegar ao ponto atual. 2016. Governo Dilma. Milhões de pessoas infelizes com a presidente, com a descoberta de desvio de verba da Petrobras, com lava-jato, com o ex-presidente Lula e seu triplex e blablabla. É irônica a forma como todos ficamos perplexos com essas descobertas e com todas as denúncias e envolvimentos citados. Os cegos cidadãos acreditaram que Lula seria o presidente perfeito, trabalhador, que ajudava os pobres dando bolsas-família e diversos outros auxílios. Acreditaram ser um governo dos bons, em que não ocorreria desvio de dinheiro, investimentos externos em propaganda política, corrupção dentro da Petrobras. E esse erro, meus caros, foi nosso. Acreditamos ainda que, como seguidora de Lula, Dilma também seria a presidente perfeita. Acreditamos que faria um trabalho limpo, que investiria ainda mais em educação, saúde, transporte, mas vimos reportagens na Globo contando a situação precária de hospitais públicos de todo o país. Vimos o Brasil perder o apoio econômico de empresas que não o consideravam bom pagador quanto a empréstimos. Vimos a inflação aumentar, a moeda ser desvalorizada, os preços subirem. E, então, enlouquecemos. Começamos a falar mal de pessoas que antes venerávamos. Começamos a participar do panelaço e gritar “Fora, Dilma!”, enquanto deixávamos de pensar no contexto em que o resto da nossa política está inserido.
Não deixo de concordar com o fato de que nossa situação está catastrófica, mas vamos pensar um pouquinho em todo esse contexto. Na última eleição, especificamente no segundo turno, concorriam à presidência Dilma Rousseff e Aécio Neves. Um dos dois venceria. Contudo ambos estão, agora, sendo denunciados no acordo de delação. Um dos dois corruptos venceria a eleição.
Aí vamos para as ruas pedir o impeachment da senhora Dilma, gritando “Fora, Dilma!”, mas nos esquecemos de que se ela sair, entra Temer, do PMDB, que está sendo acusado de receber propina de empresas privadas. No meio disso tudo, pessoas rezam para que Bolsomito vença a próxima eleição e seja presidente, Bolsonaro esse que terá de pagar 150 mil reais por ter usado termos racistas, Bolsonaro esse que é homofóbico e que acha que bandido bom é bandido morto. Enquanto isso, Cunha, com sua conta na Suíça, perde o foco de toda a corrupção e se diverte com a situação.
Agora, paremos para pensar. Aonde vamos com isso tudo? Elegemos pessoas que não conhecemos ou que não têm nem sequer conhecimento mínimo sobre a Constituição vigente no país. Elegemos um presidente que nem escrever seu próprio nome sabia. E não é questão de elitismo ou exclusão social, mas se tratando de governar um país, precisamos ser mais exigentes.
A culpa disso tudo é nossa, porque em 500 anos vivendo na corrupção, acabamos aceitando a situação, pois se tornou cômodo não lutar por um país melhor. Grande merda ir para as ruas todo domingo protestar, se, enquanto isso, grupos estão pedindo para que a Ditadura volte. Grande merda querermos o fim da corrupção, se nós brasileiros ainda furamos fila, ainda compramos carteiras de identidade falsa para entrarmos em festas, ainda compramos produtos falsos, ainda achamos que nossa cultura é inferior a outras.
O problema está em nós, brasileiros, que aceitamos calados a violência, a falta de educação, e a mídia nos enganando. Aliás, falando em mídia, outra coisa que me deixa puta nessa situação toda é a forma como os jornais e revistas se posicionam politicamente sem o mínimo pudor. Meios que têm como papel informar e não impor opiniões, mostrando sem nenhuma vergonha o quanto odeiam a presidência atual. E nós comprando tais revistas porque não gostamos da presidente e apenas queremos mais informações para termos como criticá-la.
E o que mais me atormenta: o que faremos com toda essa situação? Qual a nossa força contra toda essa corrupção? Quais são nossos direitos quanto a mudar isso tudo?  E quem somos nós nesse meio?

Somos o assassino e a vítima, demos um tiro em nossos próprios pés. A solução disso tudo eu não sei dizer qual é, então me diga você: o que podemos fazer?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Um Conto de Carnaval

Era Carnaval. Cristal, como era de se esperar, comprara sua fantasia, seu vestido cheio de detalhes e decoros, a alegria em forma de miçangas e cores.  A jovem mulher, desde pequena, pulava carnaval, e não seria diferente naquele ano.
Estava feliz. As coisas andavam fluindo em sua vida. Seu trabalho lhe rendendo bons frutos, seu apartamento comprado com muito suor, seu carro ocupando uma das duas vagas a que tinha direito em seu prédio. Era feliz. Sua família era presente, tinha bons amigos, era uma pessoa comum com uma flor dentro do peito.
Mas, naquele sábado de carnaval, Cristal se sentira mais feliz, uma felicidade diferente de todas aquelas vividas. Parecia ocorrer dentro de si um misto de dor e angústia que lhe soava como ansiedade, mas que de nada se assemelhava a isso. Sentia seu corpo estalando, como um mar de ossos sendo empurrados uns contra os outros. Dentro de seu peito, o coração batucava forte, como os tambores marcando o ritmo do samba de sua escola.
Decidiu ocupar sua mente, então, arrumando-se, despindo-se e, logo depois, vestindo-se com sua fantasia, como em um ritual contínuo de preparo para o grande momento. Quando estava finalmente pronta, a boca e as maçãs do rosto coradas, os cílios amontoados de rímel, olhou-se no espelho e, singelamente, sorriu. Viu a flor que se desabrochava dentro de seu peito, sentindo a alegria novamente ir tomando seu corpo, dando um aperto em seu coração. A menina que, dentro dela, escondia-se, havia crescido e, agora, habitava uma grande mulher. Evitando borrar a maquiagem, limpou a lágrima que escorrera no canto dos olhos e sorriu ainda mais intensamente, sentindo a angústia novamente tomar seu corpo. Ignorou-a e buscou dar-lhe a desculpa de pura ansiedade.
Era o grande momento. Enquanto se aproximava da rua lotada de foliões, sentia a música invadindo aos poucos seu ouvido, tornando-se cada vez mais nítida e marcada. Sentia as veias pulsando em seu pescoço enquanto dava passos largos com seu par de saltos sob os pés. A melodia invadia cada parte de seu corpo, cada entranha, criando dentro de Cristal a necessidade de fechar seus olhos e acompanhar o ritmo da dança. E foi-se assim, percorrendo a rua de pedras, invadindo a multidão que se aproximava.  Caminhava de olhos fechados, cantando e rebolando os quadris, reproduzindo o ritmo da música que soava agora mais próxima. Sentia-se em êxtase. Cristal era feliz.
Foi quando sentiu uma pontada no peito, como aquelas mais leves que tivera durante o dia, mas que preferiu ignorar. Outra pontada, dessa vez mais forte, irradiava do centro de seu peito, expandindo-se pelo corpo. As pontadas iam se tornando mais intensas, mais doloridas, cortando Cristal, dilacerando-a aos poucos.  Buscando onde se apoiar, abriu os olhos. Não sabia ao certo o que fazer e, no fundo, percebia que não encontraria solução para o que sentia naquele momento.
Então, em um ato de impulso, Cristal fechou seus olhos e começou a sambar. As pernas se agitavam agonizantemente, enquanto a dor assumia o resto de seu corpo. Cristal pulava e sorria e sambava e cantava e crescia e crescia e crescia. Sua fantasia balançava e refletia a luz do sol que ardia acima de sua cabeça. Seus sapatos contra o chão criavam uma onda que ia de seus pés até o pescoço, gerando uma sintonia única entre seu corpo e a música que a invadia. Cristal ia crescendo mais e mais.
De repente, Cristal caiu. Seu corpo se uniu ao chão irregular, os joelhos e o rosto indo ao encontro do piso de pedras, o sangue, aos poucos, saindo de sua delicada pele. Sua fantasia, contudo, parecia ganhar mais brilho naquele momento, esticada no chão junto à moça. Cristal se espatifou no chão. A delicada flor que havia desabrochado em meio ao caos, murchou sorrindo.
Olhares a percorriam. Olhares desconhecidos de pessoas que, assim como ela, eram seres comuns buscando a felicidade em um momento de festejo. Olhares de incerteza. Como se pode murchar em meio à felicidade efêmera do Carnaval? Todos se questionavam. No fundo, sabiam que em dias de alegria, não deveria haver lágrimas e tristeza.  Já não basta a vida toda para isso?

Mas Cristal não sofrera. Era feliz. Não era mais uma mulher comum sambando sorrindo. Era uma mulher completa sambando sorrindo pelas ruas da vida. E, ao som de Chico Buarque, o coração da rosa parou. Sua fantasia refletindo a luz do sol pareceu acomodá-la como um manto. E ali ficou Cristal, até o soar de sirenes e o parar dos tambores anunciarem o sepultamento de sua felicidade. 

Crônica sobre 23/02/2016

    Hoje, como todos os dias, acordei, peguei meu celular, abri o Facebook e dei uma olhada no feed de notícias. Esperava encontrar alguma publicação sobre novos casos de dengue, fotos e compartilhamentos de amigos, ou qualquer coisa do tipo. Em vez disso, deparei-me com diversas postagens sobre um acontecimento ocorrido hoje no período da manhã: uma dita tentativa de estupro a uma funcionária de uma instituição de ensino da minha cidade, fato vivenciado no local. Algumas páginas de notícia diziam ter sido uma tentativa de roubo, outras diziam que havia sido sim uma tentativa de estupro.
    Não entrando no mérito de ter sido ou não, decidi escrever sobre uma decisão tomada por algumas instituições de ensino que pode ser, agora, tanto um avanço quanto aos direitos dos transexuais como um retrocesso quanto à violência, em especial, contra a mulher. No final de 2015, uma instituição específica declarou um lema que dava às pessoas o direito de usar qualquer um dos banheiros, feminino ou masculino, de acordo com o gênero a que se sentisse pertencido. A ideia principal era trazer à faculdade o molde contemporâneo de respeito à diversidade. 
    Inicialmente, analisando por um ponto de vista específico, trata-se de um grande avanço quanto aos direitos de pessoas que não se sentem confortáveis utilizando banheiros que não seguem o gênero a que pertencem (no caso de transexuais). Porém, analisando o fato com um olhar inclusive mais malicioso, percebe-se que muitas pessoas poderão abusar desse direito, utilizando-o como uma arma de violência e estupro.
    Quando dois homens entram em um banheiro feminino afirmando se identificarem com o gênero feminino , não há provas de que estão sendo verdadeiros ou não. Contudo devem ser respeitados e o uso dos banheiros por parte de ambos não pode ser restrito. Se dois homens, porém, fazem uso dessa afirmação para entrarem em um banheiro e estuprarem uma mulher que está sozinha no local, a situação se torna um tanto complicada.
    O exemplo acima não foi noticiado. Trata-se de uma suposição para nos levar à reflexão e até a uma maior cautela por parte não só de nós mulheres, mas também dos homens. Deve-se respeitar sempre todos os gêneros, sem restrição. Mas, ao mesmo tempo em que se percebe um grande avanço em um ponto, parece haver um retrocesso em outro. O fato de haver uma maior possibilidade de violência contra, principalmente, a mulher, gera em nós um medo ainda mais intenso em relação a essa situação. O que deveremos fazer? Esperar os mesmos saírem dos sanitários para, então, podermos entrar? Ou entrar sempre em grupos em tais locais? O medo parece se tornar cada vez mais intenso. 
    Em relação à última referência, não se sabe ao certo o melhor a se fazer, pois toda medida tem um lado bom e ruim. Contudo, cabe aos órgãos responsáveis pela vigilância dessas instituições garantir a fiscalização de tais pontos, permitindo a todos, não apenas às mulheres, a preservação de seus direitos e de sua segurança, abrandando os empecilhos de tal decisão.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Mudando

Oi, gente! Tudo bem com vocês?
Então, hoje vim trazer um post diferente dos que costumo publicar. Primeiramente, não se trata de um texto o qual escrevi. Dessa vez, publicarei fotos as quais eu mesma capturei e gostaria de saber o que vocês acham. Daí, se gostarem, sigam-me no instagram @maquinadeescreverflores.
Bom, vamos lá?





Espero que tenham gostado! Um beijão a todos e até mais!

sábado, 4 de outubro de 2014

1001 coisas que eu odeio em você: Romance politico

Já entrando na onda das eleições, decidi escrever sobre um assunto que tanto me atrai, mesmo me envergonhando, nesse nosso país tão rico no quesito corrupção: a política.
"Propagandas. Panfletos. Cartazes. Adesivos. Véspera de eleição mais parece Carnaval fora de época. Milhões de fantasias cobrindo pessoas (muitas vezes pagas para desfilar com blusas e alegorias do seu suposto partido). Enquanto isso, carros com caixas de som apresentam propostas e músicas que funcionam como uma verdadeira lavagem cerebral. Na televisão, debates lembrando a Guerra Fria, em que não há ataque direto (ou será que teve, em relação ao Campos?) e os candidatos mais criticam os adversários do que realmente apresentam propostas. Na internet, jovens entre 16 e 18 anos criticando assiduamente a politica brasileira, enquanto sequer pensaram em fazer seu titulo de eleitor para ao menos tentar mudar o futuro de um país caótico.
E o número de candidatos? 608 para o cargo de deputado federal de Minas Gerais e 1041 para deputado estadual também de Minas. Ok, democracia, liberdade de escolha e participação, mas quem é que procura saber sobre 1649 antecedentes e propostas para escolher dois cargos? Política, tenho a pura certeza, é mais do que querer participar e ter um salário alto. Vamos perguntar para cada um se eles sabem quais são as leis mais importantes para que exerçam suas funções básicas de acordo com a Constituição. Eliminamos oitenta porcento, sendo boazinha com os números.
E, mesmo com toda essa falação na nossa cabeça, há quem se fecha para o mundo e acaba votando no sobrinho, no neto, no filho ou no papagaio do filho do bisneto de um presidente que, dizem, fez muito bem para o país. Simplesmente porque, talvez, 100 anos de diferença não mudem o caráter de dois familiares.
E, pior do que isso, é assistir aos partidos se corrompendo, afinal, para o bem de uma nação, um grupo de esquerda pode apoiar a privatização e venda de recursos públicos para empresas estrangeiras. Tudo bem, né.
Para terminar a sessão "pseudoescritora engajada do dia", termino com a fala de uma pessoa muito próxima a mim, que, infelizmente, é o mesmo pensado por várias outras pessoas: "Você vota em quem te interessa, em quem faz o melhor por você, pela sua família e amigos." Pensar nas outras classes sociais que é bom nada.
Por essas e outras, acabamos sendo levados a desistir de pensar no futuro de um país sem futuro. Só que é nessas horas que devemos acreditar que pode haver uma luz no fim do túnel(#creindeuspaiquetem), uma pessoinha competente, ou várias de preferência, que acabe com todos os desvios do Senado, que cuide da nossa tão desgastada educação, justiça, saúde e transporte públicos e que mude a visão cada vez pior que criamos e criaremos da nossa situação. Meio sonho de consumo com visão de psicólogo isso aí, né.
Espero, sendo verdadeira, que isso não seja tempo perdido e que, amanhã, você que, como eu, vai lá na urna votar, que você faça uma boa escolha, que saiba o que está decidindo e que não esteja votando por pura obrigação (país democrático, né), mas com consciência de que, em quatro anos, um país pode afundar completamente ou desenvolver-se de forma satisfatória. Aí é com você. Lave as mãos ou transforme a água em vinho. A escolha é sua."