Hoje venho escrever sobre um tema
extremamente polêmico e que tem tirado o sono de milhares de brasileiros nos
últimos meses(ou seriam séculos?): a corrupção no Brasil.
Nascemos em um país que foi
colonizado de forma elitista e corrupta, onde negros eram tratados como
mercadoria e descendentes de portugueses usufruíam de seu poder político e econômico.
Partimos para um governo oligárquico, com representantes que burlavam votos,
compravam eleitores e os ameaçavam caso não cumprissem com seu dever de voto. O
café com leite vivia em meio ao voto de cabresto, com políticos totalmente
corruptos, que se destruíam por uma eleição.
Depois veio Getúlio, com toda sua
jogada política de não se meter nas decisões tomadas na zona rural, porque
sabia que proprietários de terra tinham mais poder que ele próprio. Brincava com
o povo, criando leis para a o proletário urbano, garantindo sua massa de seguidores.
Pulando alguns governos, veio a
Ditadura. Povo cego esse que acha que foi o momento mais limpo da historia do
Brasil. Bobinhos! Criações faraônicas com um propósito: desvio de verba. E como
desviaram dinheiro, Senhor.
Mas todos esses exemplos servem
para chegar ao ponto atual. 2016. Governo Dilma. Milhões de pessoas infelizes
com a presidente, com a descoberta de desvio de verba da Petrobras, com
lava-jato, com o ex-presidente Lula e seu triplex e blablabla. É irônica a
forma como todos ficamos perplexos com essas descobertas e com todas as
denúncias e envolvimentos citados. Os cegos cidadãos acreditaram que Lula seria
o presidente perfeito, trabalhador, que ajudava os pobres dando bolsas-família
e diversos outros auxílios. Acreditaram ser um governo dos bons, em que não
ocorreria desvio de dinheiro, investimentos externos em propaganda política,
corrupção dentro da Petrobras. E esse erro, meus caros, foi nosso. Acreditamos
ainda que, como seguidora de Lula, Dilma também seria a presidente perfeita.
Acreditamos que faria um trabalho limpo, que investiria ainda mais em educação,
saúde, transporte, mas vimos reportagens na Globo contando a situação precária
de hospitais públicos de todo o país. Vimos o Brasil perder o apoio econômico
de empresas que não o consideravam bom pagador quanto a empréstimos. Vimos a
inflação aumentar, a moeda ser desvalorizada, os preços subirem. E, então, enlouquecemos.
Começamos a falar mal de pessoas que antes venerávamos. Começamos a participar
do panelaço e gritar “Fora, Dilma!”, enquanto deixávamos de pensar no contexto
em que o resto da nossa política está inserido.
Não deixo de concordar com o fato
de que nossa situação está catastrófica, mas vamos pensar um pouquinho em todo
esse contexto. Na última eleição, especificamente no segundo turno, concorriam
à presidência Dilma Rousseff e Aécio Neves. Um dos dois venceria. Contudo ambos
estão, agora, sendo denunciados no acordo de delação. Um dos dois corruptos
venceria a eleição.
Aí vamos para as ruas pedir o
impeachment da senhora Dilma, gritando “Fora, Dilma!”, mas nos esquecemos de que
se ela sair, entra Temer, do PMDB, que está sendo acusado de receber propina de
empresas privadas. No meio disso tudo, pessoas rezam para que Bolsomito vença a próxima eleição e seja
presidente, Bolsonaro esse que terá de pagar 150 mil reais por ter usado termos
racistas, Bolsonaro esse que é homofóbico e que acha que bandido bom é bandido
morto. Enquanto isso, Cunha, com sua conta na Suíça, perde o foco de toda a
corrupção e se diverte com a situação.
Agora, paremos para pensar. Aonde
vamos com isso tudo? Elegemos pessoas que não conhecemos ou que não têm nem
sequer conhecimento mínimo sobre a Constituição vigente no país. Elegemos um
presidente que nem escrever seu próprio nome sabia. E não é questão de elitismo
ou exclusão social, mas se tratando de governar um país, precisamos ser mais
exigentes.
A culpa disso tudo é nossa,
porque em 500 anos vivendo na corrupção, acabamos aceitando a situação, pois se
tornou cômodo não lutar por um país melhor. Grande merda ir para as ruas todo
domingo protestar, se, enquanto isso, grupos estão pedindo para que a Ditadura
volte. Grande merda querermos o fim da corrupção, se nós brasileiros ainda
furamos fila, ainda compramos carteiras de identidade falsa para entrarmos em
festas, ainda compramos produtos falsos, ainda achamos que nossa cultura é
inferior a outras.
O problema está em nós,
brasileiros, que aceitamos calados a violência, a falta de educação, e a mídia
nos enganando. Aliás, falando em mídia, outra coisa que me deixa puta nessa
situação toda é a forma como os jornais e revistas se posicionam politicamente
sem o mínimo pudor. Meios que têm como papel informar e não impor opiniões,
mostrando sem nenhuma vergonha o quanto odeiam a presidência atual. E nós
comprando tais revistas porque não gostamos da presidente e apenas queremos
mais informações para termos como criticá-la.
E o que mais me atormenta: o que
faremos com toda essa situação? Qual a nossa força contra toda essa corrupção?
Quais são nossos direitos quanto a mudar isso tudo? E quem somos nós nesse meio?
Somos o assassino e a vítima,
demos um tiro em nossos próprios pés. A solução disso tudo eu não sei dizer
qual é, então me diga você: o que podemos fazer?