Ana Luiza. Escorpiana. 1,62 de uma intensidade do caramba. Amo fotografar, ler, viajar, cantar e sentir. Tenho medo de não ser suficiente, mas um medo ainda maior de não me satisfazer. Quero ser feliz com pouco e amar o que vem de dentro!
sábado, 16 de agosto de 2014
Prosa da solidão
"Os olhos dele eram bonitos, senhor, como eram! Castanhos,
redondos, como duas bolas de gude da cor da escuridão. E os dentes, encolhidos
sob os lábios tímidos e inseguros, demonstravam uma alegria inconfundível. Sua
voz era marcante, seu andar como o mar levando as conchas bruscamente para o
fundo do oceano. Poderia ter levantado, ido embora, esquecido. Mas
preferiu continuar ali, procurando uma mera esperança em meio à solidão. Seu
jeito machista, uma risada cortando a expressão cansada. Suas brincadeiras cômicas,
suas palavras aconchegantes e seu olhar fitando o dela. Capitu, Capitu, pensava
consigo, não vá se deixar levar por gestos simples. E, pensando nisso,
encolhia-se, como se o amor já não pudesse ser percebido, como se sentir fosse
algo proibido. E talvez fosse, amar alguém assim tão bonito, talvez fosse. Ou se
tratasse de mera coincidência chover sob seus olhos uma imensidão de sóis e
gotas reluzentes, que, em meio ao fim da noite, refletiam o brilho das estrelas
mortas. Talvez amasse intensamente ou talvez fosse apenas a vida pregando-lhe mais uma
de suas peças."
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